Macao

Décret-loi n° 101 du 13 décembre 1999

Ce décret-loi a été adopté le 13 décembre 1999 juste avant la rétrocession officielle qui a eu lieu le 20 décembre 1999, une cérémonie en présence des présidents chinois et portugais, Jiang Zemin et Jorge Sampaio. Elle marquait la fin d'une occupation coloniale vieille de 442 ans.

Decreto-Lei n.º 101/99/M de 13 de Dezembro

CAPÍTULO I

Disposição geral

Artigo 1.º

Línguas oficiais

1)
As línguas chinesa e portuguesa são as línguas oficiais de Macau.

2) As línguas oficiais têm igual dignidade e são ambas meio de expressão válido de quaisquer actos jurídicos.

3) O disposto nos números anteriores não prejudica a liberdade de escolha, por cada indivíduo, da sua própria língua e o direito de a utilizar na sua esfera pessoal e familiar, bem como de a aprender e ensinar.

4) A Administração deve promover o ensino das línguas oficiais, bem como a sua correcta utilização.

CAPÍTULO II

Estatuto das línguas oficiais

SECÇÃO I

Domínio legislativo

Artigo 2.º

Apresentação de projectos e propostas de leis


Os projectos e propostas de leis devem ser submetidos à Assembleia Legislativa redigidos numa das línguas oficiais, acompanhados da respectiva tradução na outra língua oficial.

Artigo 3.º

Promulgação, assinatura e ordem de publicação


A promulgação, assinatura e ordem de publicação das leis e regulamentos administrativos podem ser exaradas em qualquer das versões, sem prejuízo da validação da versão não assinada, considerando-se ambas, para efeitos de publicação, como documentos autênticos.

Artigo 4.º

Publicação

1)
As leis e os regulamentos administrativos são publicados em ambas as línguas oficiais.

2) Exceptua-se do disposto no número anterior a publicação, total ou parcial, de lei ou regulamento administrativo que, pela natureza linguística ou ortográfica do conteúdo, seja insusceptível de expressão na outra língua oficial.

3) Sem prejudicar a eficácia imediata da lei ou regulamento administrativo e em caso de comprovada e fundamentada urgência, a Assembleia Legislativa, em actos da sua competência, e o Governador, nas demais situações e mediante despacho, podem determinar que a publicação seja feita inicialmente apenas numa das línguas oficiais.

4) Nos casos previstos no número anterior a publicação da versão na outra língua oficial é feita no prazo máximo de 90 dias.

5) Em casos devidamente justificados, pode ainda ser determinada a publicação no Boletim Oficial de Macau de acto normativo noutra língua para além das oficiais.

6) Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, a falta de publicidade de uma lei ou regulamento administrativo nas duas línguas oficiais, implica a sua ineficácia jurídica.

Artigo 5.º

Interpretação dos actos normativos

1)
O acto normativo é unitário e qualquer das suas versões nas duas línguas oficiais faz fé pública, presumindo-se que têm o mesmo sentido e alcance.

2) A interpretação dos actos referidos no número anterior pode ser feita, nos termos gerais de direito, com recurso a qualquer das suas versões.

3) No caso de se verificarem divergências de sentido entre as versões de um acto normativo, adopta-se um sentido admitido por ambas, tendo em conta as regras normais de interpretação da lei ou, não sendo tal possível, aquele sentido que melhor se coadune com os objectivos prosseguidos pelo acto.

SECÇÃO II

Domínio administrativo

Artigo 6.º

Relações entre Administração e administrados

1)
Todos têm o direito de se dirigir numa das línguas oficiais, oralmente ou por escrito, a qualquer órgão da Administração, bem como às entidades concessionárias no exercício de poderes de autoridade, e a receber resposta na língua oficial da sua opção.

2) O procedimento administrativo é conduzido, nos termos da lei aplicável, na língua do interessado ou na língua por si escolhida mediante acto de vontade expresso, quando oficiais.

3) A passagem de certidão de acto notarial ou registal ou de documento constante de arquivo público ou de processo administrativo é acompanhada de tradução emanada da entidade certificante quando a língua do acto ou documento, sendo oficial, não seja a língua de opção do interessado e sem encargos adicionais para este.

4) O disposto nos números anteriores aplica-se à actividade de natureza administrativa desenvolvida no âmbito dos tribunais.

Artigo 7.º

Documentação

Todos os impressos, formulários ou documentos análogos facultados pela Administração devem ter redacção nas duas línguas oficiais.

SECÇÃO III

Domínio judiciário

Artigo 8.º

Acesso à justiça

1)
Todos têm o direito de se dirigir numa das línguas oficiais, oralmente ou por escrito, a qualquer tribunal ou órgão judicial e de, nele, compreenderem os actos processuais e aí serem compreendidos.

2) Não podem ser rejeitadas quaisquer peças processuais ou documentos análogos em razão da língua, quando redigidos numa das línguas oficiais.

Artigo 9.º

Actos processuais

1)
A determinação da língua dos actos processuais, feita nos termos da lei aplicável, tem em conta o direito de escolha das partes e o superior interesse da realização da justiça.

2) Os actos processuais orais devem ser praticados na língua oficial comum dos participantes, sendo assegurada a tradução quando tal língua não exista.

CAPÍTULO III

Disposições finais e transitórias

Artigo 10.º

Valor da versão em língua chinesa

1)
As versões em língua chinesa de actos normativos publicadas no Boletim Oficial de Macau após a oficialização desta língua são autênticas e têm plena força legal.

2) As versões em língua chinesa de actos normativos publicadas ao tempo da oficialização desta língua podem ser objecto de declaração de autenticidade efectuada, caso a caso e após parecer do Gabinete para a Tradução Jurídica, por:

a) Acto da Assembleia Legislativa, nas versões da sua competência;

b) Despacho do Governador, nas demais situações.

3) A autenticidade pode ser conferida a versão diferente da publicada no Boletim Oficial, devendo a nova versão ser objecto de publicação.

Artigo 11.º

Alteração de actos normativos sem versão em língua chinesa


A introdução de alterações em actos normativos publicados sem versão em língua chinesa implica a publicação integral do acto nas duas línguas oficiais.

Artigo 12.º

Publicação de diplomas legais nos termos do artigo 69.º do Estatuto Orgânico de Macau


Constituem excepção ao disposto no n.º 6 do artigo 4.º as publicações efectuadas nos termos do artigo 69.° do Estatuto Orgânico de Macau.

Artigo 14.º

Entrada em vigor


O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.

Aprovado em 7 de Dezembro de 1999.

O Governador, Vasco Rocha Vieira.

Décret-loi n° 101/99/M du 13 décembre

CHAPITRE I

Disposition générale

Article 1er

Langues officielles

1)
Le chinois et le portugais sont les langues officielles de Macao.

2) Les langues officielles ont une dignité égale et sont toutes deux des moyens d'expression valables pour tout acte juridique.

3) Les dispositions des paragraphes précédents ne doivent pas affecter la liberté de choix de quiconque d'employer sa propre langue et le droit d'en faire usage dans sa sphère personnelle et familiale, ainsi que de l'apprendre et de l'enseigner.

4) L'Administration doit promouvoir l'enseignement des langues officielles, ainsi que leur bon usage.

CHAPITRE II

Statut des langues officielles

TITRE I

Domaine législatif

Article 2

Présentation des propositions et de projets de lois


Les propositions et les projets de lois doivent être soumis à l'Assemblée législative dans l'une des langues officielles, accompagnés de leur traduction respective dans l'autre langue officielle.

Article 3

Promulgation, signature et ordonnance de publication


La promulgation, la signature et l'ordonnance de publication des lois et des règlements administratifs peuvent être consignés dans l'une des versions, sans préjudice de la validation de la version non signée, toutes deux étant considérées, aux fins de la publication, comme des documents authentiques.

Article 4

Publication

1)
Les lois et les règlements administratifs doivent être publiés dans les deux langues officielles.

2) La publication, en tout ou en partie, d'une loi ou d'un règlement administratif qui, en raison de la nature linguistique ou orthographique du contenu, est incapable d'être exprimée dans l'autre langue officielle, est exclue des dispositions du paragraphe précédent.

3) Sans compromettre l'efficacité immédiate d'une loi ou d'un règlement administratif et, en cas d'urgence prouvée et justifiée, l'Assemblée législative, dans les actes relevant de sa compétence, et le gouverneur, dans les autres situations et par voie d'arrêté, peuvent déterminer que la publication ne soit faite initialement que dans l'une des langues officielles.

4) Dans les cas prévus au paragraphe précédent, la publication de la version dans l'autre langue officielle se fait dans un délai maximum de 90 jours.

5) Dans des cas dûment justifiés, la publication au Journal officiel de Macao d'un acte normatif dans une autre langue que les langues officielles peut également être décidée.

6) Sans préjudice des dispositions des paragraphes précédents, l'absence de publication d'une loi ou d'un règlement administratif dans les deux langues officielles implique qu'ils ne peuvent être en vigueur.

Article 5

Interprétation des actes normatifs

1)
L’acte normatif est unitaire et tout texte de ses versions dans les deux langues officielles fait foi publiquement, à supposer qu’elles aient le même sens et la même portée.

2) L'interprétation des actes visés au paragraphe précédent peut être faite, dans les conditions générales de la loi, en utilisant n'importe laquelle de ses versions.

3) En cas de différences de sens entre les versions d'un acte normatif, un sens accepté par les deux est adopté, en tenant compte des règles normales d'interprétation de la loi ou, si cela n'est pas possible, le sens qui correspond le mieux aux objectifs poursuivis par la loi.

TITRE II

Domaine administratif

Article 6

Relations entre l'administration et les administratrés

1)
Quiconque a le droit de s'adresser dans l'une des langues officielles, oralement ou par écrit, à un organisme de l'Administration, ainsi qu'aux entités concessionnaires dans l'exercice des pouvoirs de l'autorité, et de recevoir une réponse dans la langue officielle de son choix.

2) La procédure administrative doit se dérouler, dans les termes de la loi applicables, dans la langue de l'intéressé ou dans la langue choisie par l'intéressé par un acte de volonté expresse, lorsque c'est officiel.

3) L'émission d'un acte notarié ou d'un enregistrement ou d'un document contenu dans une archive publique ou un acte administratif doit être accompagnée d'une traduction délivrée par l'organisme certificateur lorsque la langue de l'acte ou du document, étant officielle, n’est pas la langue de choix de la personne concernée et sans frais supplémentaires pour celle-ci.

4) Les dispositions des paragraphes précédents s'appliquent aux activités de nature administrative exercées dans le cadre des juridictions.

Article 7

Documentation


Tous les imprimés, formulaires ou documents similaires fournis par l'Administration doivent être rédigés dans les deux langues officielles.

TITRE III

Domaine judiciaire

Article 8

Accès à la justice

1)
Quiconque a le droit de s'adresser à une juridiction ou à une instance judiciaire dans l'une des langues officielles, oralement ou par écrit, et d'y comprendre les actes de procédure et d'y être compris.

2) Aucun acte de procédure ou un acte similaire ne peut être rejeté pour des raisons linguistiques, lorsqu'il est rédigé dans l'une des langues officielles.

Article 9

Actes de procédure

1)
La détermination de la langue des actes de procédure, faite selon les termes de la loi applicables, doit tenir compte du droit de choix des parties et de l'intérêt supérieur de l'administration de la justice.

2) Les actes de procédure oraux doivent se tenir dans la langue officielle commune des participants, la traduction étant assurée lorsqu'une telle langue n'existe pas.

CHAPITRE III

Dispositions finales et transitoires

Article 10

Valeur de la version en langue chinoise

1)
Les versions en langue chinoise des actes normatifs publiés au Journal officiel de Macao après l'officialisation de cette langue sont authentiques et ont pleine force de loi.

2) Les versions en langue chinoise des actes normatifs publiés au moment de l'officialisation de cette langue peuvent faire l'objet d'une déclaration d'authenticité effectuée, au cas par cas et après avis de l'Office de traduction juridique, par:

a) un acte de l'Assemblée législative, dans les versions relevant de sa compétence;

b) un ordre du gouverneur, dans d'autres situations.

3) L'authenticité peut être vérifiée sur une autre version que celle publiée au Journal officiel, la nouvelle version devant être publiée.

Article 11

Modification d'actes normatifs sans version en langue chinoise

L'introduction de modifications à des actes normatifs publiés sans version en langue chinoise implique la publication complète de l'acte dans les deux langues officielles.

Article 12

Publication des documents juridiques conformément à l'article 69 de la loi organique de Macao


Les exceptions à l'article 4.6 sont les publications faites conformément à l'article 69 de la loi organique de Macao.

Article 14

Mise en œuvre


Le présent décret-loi entre en vigueur le jour suivant sa publication.

Approuvé le 7 décembre 1999.

Le gouverneur, Vasco Rocha Vieira.

 

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